| Titulo : EXPLORAÇÃO E CONSTRUÇÃO
DE CONHECIMENTOS EM REDES TELEMÁTICAS.
Autor : Alejandro Villalobos Claveria y Ana Cristina Del Grande da Silva. Publicada en: Coletâneas vol 4 num 11 pags 60 - 68, 1997. Programa de Pós-Graduação em Educação, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Brasil. |
EXPLORAÇÃO E CONSTRUÇÃO DE CONHECIMENTOS
EM REDES TELEMÁTICAS
(versión Resumida)
Introdução
Este artigo pretende abordar alguns aspectos construídos a partir de nossa experiência de “navegação” e utilização de redes telemáticas.
Considerando-se uma certa defasagem do campo educacional, no que se refere aos avanços tecnológicos, faz-se necessária uma circunscrição dos mesmos para sua melhor adequação aos processos de ensino-aprendizagem.
Tradicionalmente, a Educação transmite ao Sujeito a Cultura de seu tempo, entrelaçando-o a seus antecedentes históricos. Atualmente, as novas tecnologias da informação e comunicação inserem-se em alguns segmentos da sociedade de maneira ágil e rápida, convocando um redimensionamento no sentido de incorporá-las ao tempo presente e em amplo espectro. Isso implica que a Educação também é convidada a posicionar-se frente a esses novos paradigmas.
No artigo agora introduzido, tomaremos como eixo transversal o aspecto do advento da Internet não só na Cultura brasileira como, mais especificamente, em nossa própria experiência no Programa de Pós-Graduação em Educação da UFRGS, tomando em conta as suas possibilidades de projeção no campo educacional.
Um dos pontos relevantes a ser considerado contempla os processos de interação e comunicação, gerando, por conseqüência, o que denominaremos aprendizagem. A Cibernética precipita um novo estilo de aprendizagem, situada no contexto e nas possibilidades de simulações do real, conformes com um ambiente virtual. Os desdobramentos desse processo convergem em interrogantes, as quais procuraremos abordar nesse artigo.
As respostas às questões que nos inquietam no momento convocam novas investigações, o que, por conseguinte, impulsiona novas construções de conhecimentos não apenas no sentido teórico, mas também, a respeito da própria sistemática de interação em redes telemáticas.
Sendo assim, o conteúdo apresentado por ora condiciona alguns dos múltiplos recortes que a experiência de exploração e construção de processos de aprendizagem veicula. Esse texto não se esgota aqui. Pelo contrário, abre-se a outras elaborações.
Em se tratando de um trabalho que vislumbra a temática
da aprendizagem e suas vicissitudes, há que se apontar, então,
a necessidade de uma reordenação dos conceitos pertinentes
à matéria, quando contextualizada no campo da Educação.
Isso implica na premência de uma conjugação dos avanços
tecnológicos e a complexidade que o próprio campo educacional
releva. Não obstante, e nessa direção, uma posição
marginal frente a esse debate decorre em uma auto-exclusão, o que
seria, enfim, um paradoxo diante dos propósitos educacionais contemporâneos.
Alguns antecedentes históricos
O advento da Internet procede da conjugação de 3 fatores essenciais:
1. a evolução de recursos tecnológicos, tais como a telefonia, satélites, fibras óticas, os quais favoreceram o aperfeiçoamento no trânsito de informações no que se refere à possibilidade de trânsito de maior volume de dados em proporções de velocidade igualmente maiores;
2. o aprimoramento na produção de softwares e hardwares potencializa uma maior capacidade de armazenamento de dados (memória), velocidade de processamento, interfaces mais amigáveis, e a incorporação de diversos periféricos (impressoras, scanners, mouses, multimídia, dentre outros) o que, em última análise, favorece e facilita o uso dos sistemas e equipamentos;
3. na medida em que as tecnologias evoluem, diminuem os custos dos computadores e seus acessórios, ampliando, portanto, seu uso e exploração.
4. Ainda que de forma incipiente, podemos vislumbrar a Cibernética como uma matéria que toma como campo operacional o ciber-espaço, o que reordena as noções de tempo e espaço vigentes até então. O ciber-espaço não é uma entidade física real, posto que se ambienta imaginariamente, simulando a realidade e intermediando as relações ali estabelecidas em dimensões de tempo real e imediato.
Podemos situar a evolução da utilização da Internet em 3 tempos, a serem assim colocados:
USO MILITAR
1969-1981 - A Internet é criada em 2 de janeiro de 1969 com o nome de Arpanet. Em 1975 a Agência de Comunicações do Departamento de Defesa dos Estados Unidos assume o gerenciamento da Internet.
USO ACADÊMICO
1981 - Surgem as redes BITNET (Because It’s Time Network), ligando as comunidades acadêmicas americanas; e a CSNET (Computer Science Network), conectando pesquisadores.
1982 - O conjunto de protocolos* de comunicação TCP/IP* (Transmission Control Protocol / Internet Protocol) torna-se o padrão para comunicação na Arpanet.
1988 - O Brasil entra na Bitnet através da Fundação de Amparo à Pesquisa de São Paulo (FAPESP) e do Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC).
1991 - Os nós brasileiros da Bitnet passam a carregar, também, tráfego da Internet. Financiada pelo CNPq, surge a Rede Nacional de Pesquisa (RNP), com o objetivo de viabilizar a instalação de ligações entre instituições-chave (nodes - nós) em cada estado, de forma a permitir que se formem e constituam redes estaduais, para conexões a nível nacional e internacional. Uma delas está na UFRGS.
USO COMERCIAL
1994 - O número de servidores* de acesso à Internet chega a 3 milhões 5 no mundo todo, e a expansão no uso do WWW* (World Wide Web) possibilita o emprego de softwares para aplicações gráficas e comerciais. A Embratel decide criar a Internet comercial no Brasil. No ano seguinte, o Brasil já conta com 8 mil computadores (nodes) na rede, com cerca de 50 mil usuários com potencial de acesso a imagens e multimídia, dentre outros.
Segundo matéria editada em dezembro/1996 na Revista
Internet World, uma das questões mais freqüentes é a
que pretende estabelecer o número aproximado de usuários
da Internet à nível mundial. Seis estudos foram realizados
nos Estados Unidos entre fevereiro e julho de 1996, sendo que não
houve coincidência quanto aos números, os quais registraram
uma variação de mais de 600%. A título de exemplo,
podemos mencionar essa variação estabelecida nas pesquisas:
em uma delas, o resultado previa aproximadamente 10 milhões, já
em outra, mais de 35 milhões de usuários.
Em relação ao Brasil, buscamos informações
mais detalhadas nos sites da Rede Nacional de Pesquisa, os quais traziam,
dentre outras coisas, informações sobre a proliferação
dos provedores de uso comercial sem, no entanto, estimar o contingente
de usuários que se beneficiam desses serviços.
Tomando-se essa breve introdução, podemos definir a Internet como uma rede de computadores interligados entre si, através da Internet Protocol (IP), isto é, um conjunto de regras que devem ser obedecidas para executar a transmissão de informações (dados) de um computador a outro.
ESTRUTURA BÁSICA
Utilizando-se de um computador pessoal*, o usuário procede a conexão com sua máquina servidora. Nesse caso, é preciso que se tenha um username, nome a partir do qual o sistema identifica o usuário. O Servidor de acesso (node) recebe a conexão do usuário e, por sua vez, dá suporte a outras conexões de seu interesse.
O Servidor de acesso do usuário faz conexão
com outro node: A partir dele, é opcional a comunicação
com outro usuário ou servidor.
Logo, a partir da estrutura básica de conexões,
considera-se que para proceder o acesso à rede é suposto
um certo domínio de alguns Recursos e Ferramentas da Internet, conforme
colocamos sucintamente em parte anexa ao artigo. Para acompanhá-la,
entretanto, sugerimos ao leitor levar em conta que as abordagens sobre
os itens pautados não se esgotam em si mesmas, pelo contrário,
são apenas uma tentativa de exemplificação, sem perder
de vista que a própria agilidade espaço-temporal da Internet
não comportaria uma amarração tão estanque.
Vivências de navegação
Para implementar nossa formação de pesquisadores, procuramos participar de alguns Seminários Avançados e atividades6 vinculados à Informática Educativa. Essa participação proporcionou uma maior amplitude dos horizontes conceituais e aplicações práticas, ambos precipitando uma inquietação no sentido da busca da aplicabilidade e projeção da Informática e, em especial, a Telemática, no campo educacional.
Processos diferenciados de vivências, aproximação e exploração das redes telemáticas demarcam a especificidade de um grupo de alunos. Cada qual a seu tempo, e em seu estilo, avançou no domínio dos Recursos e Ferramentas da Internet. Uma programação básica para as disciplinas previa a condução dos trabalhos segundo as demandas dos próprios alunos, o que significa que a busca do conhecimento pautava-se de acordo com aquela especificidade.
O avanço individual favoreceu o crescimento e desenvolvimento do grupo através de trocas de mensagens eletrônicas (E-mail*), relativas às descobertas pessoais, temas de interesse, dúvidas, e busca de soluções em conjunto. Na maioria das vezes, esses procedimentos veiculavam-se em uma lista de distribuição interna (Alunospg), estabelecida com o propósito de favorecer um ambiente de intercâmbios não-presenciais.
Essa “socialização eletrônica” dos conhecimentos construídos teve influência sobre as relações interpessoais entre os alunos e professora. Trata-se de uma dinâmica paradoxal: apropriar-se dos comandos para utilização das redes telemáticas pode parecer, aos olhos de alguns, um movimento que resulta asilar. No entanto, a própria condição de ignorância e desconhecimento dos alunos direcionava-os à procura dos demais integrantes do grupo para a solução de impasses, ainda que tomando a máquina como instrumento. Não obstante, a prevalência de trabalhos por vias virtuais não excluía a necessidade de encontros presenciais, oportunizando uma sistemática de trocas que se fazia em continuidade ao processo encaminhado nas mensagens eletrônicas.
Assim, o avanço no domínio dos procedimentos de interação e navegação seguiu uma forma nada linear ou pré-estabelecida, caracterizando-se por certa simultaneidade no tempo. Para ilustrar essa abordagem, tomemos a própria metáfora dos hipertextos: documentos (arquivos) utilizados nas redes telemáticas, que permitem ao usuário seguir trilhas associativas de pensamentos, materializadas em novos documentos que se abrem como conseqüência de determinados comandos. Logo, o simples “clicar” do mouse sobre uma palavra ou frase possibilita a obtenção quase instantânea de novas informações, estabelecendo uma trama de assuntos particularizados segundo o rastreamento orientado pela própria curiosidade e criatividade do usuário.
Como se dá o processo de apropriação das diferentes rotinas de interação/comunicação na Internet?
E, como sistematizar a narrativa sobre esse processo, a ponto de testemunhá-la frente à comunidade acadêmica?
As duas questões colocam-se como prementes no momento
da abertura e discussão sobre a matéria desse recorte do
texto. Ora, mas por que?
Não resta dúvida, subjetividade e construção
de conhecimentos estão imbricados de tal forma que, ao se buscar
uma explanação compartimentada a seu respeito, coloca-se
em risco a própria riqueza do processo.
Então, testemunhar esse processo implica um distanciamento que circunscreva o campo metodológico de aquisição de conhecimento (como se aprende) e o campo das aprendizagens propriamente ditas (o que se aprende). No entanto, esses dois componentes estão postos em uma relação de complementaridade, a ponto de conformarem certa artificialidade, caso se pretenda isolá-los para descrição.
Não obstante, abordar as aprendizagens nesse texto supõe um domínio conceitual, cujas orientações fazem constatar que não dão conta das vicissitudes decorrentes da aproximação aos processos de interação/comunicação via Internet. Assim, estamos afirmando que as clássicas teorias não respondem, ou pouco respondem, à interlocução com as novas realidades tecnológicas, no sentido da compreensão das suas conseqüências no âmbito da subjetividade.
Tal revolução copernicana instalada com o advento da Internet poderia, então, ser ilustrada através de outra metáfora, agora relativa à descoberta da América.
Havia um território desconhecido, supostamente nominado: as Índias. Cristóvão Colombo aventura-se em sua busca, encontrando-as. Contudo, a demarcação cartográfica daquele novo território só viria a ocorrer após ter passado algum tempo, quando Américo Vespúcio lança-se na empreitada, denunciando que não se trataria das Índias, e sim da América.
Ora, o relevo dessa metáfora está em apontar a necessidade de nomeação do objeto em questão, como conseqüência de uma exploração que resulte na sua incorporação ao universo significante do sujeito, favorecidas - a nominação e a exploração - por um distanciamento estabelecido entre sujeito e objeto. Para tanto, é procedente que a exploração possibilite circunscrevê-lo sem abandonar a viabilidade de associá-lo a elaborações conceituais anteriores, com vistas a inscrever o “novo” no campo subjetivo e, por conseguinte, em seu contexto histórico-cultural.
Então, estamos empenhados nesse processo, ora nos voltando a conhecer o novo objeto Internet, ora nos interrogando sobre os campos conceituais possíveis para circunscrevê-lo. Nessa alternância, não nos caberia uma abstenção quanto a assumir o semblante de Colombo, quando se aventura em uma busca, ou de Vespúcio, ao cartografar o novo território em exploração. Ao que parece, o grande desafio está, justamente, em sustentarmos essa dialética.
* * *
A definição de atividades a serem desenvolvidas
no decorrer desse semestre, em um dos Seminários Avançados
contemplados pela Informática Educativa, acabou por gerar um movimento
espiral, ou retroativo, o qual aborda 3 pontos:
- a utilização de conhecimentos construídos em
tempos passados, para o emprego dos recursos da Internet;
- a elaboração de materiais que visam transmitir tais
conhecimentos, seja através de home pages, artigos ou, ainda,
comunicações de trabalhos;
- a emergência de novas interrogantes, as quais suscitam novas
construções.
O processo particular pelo qual cada um de nós percorreu viabilizou-se, nesse momento, através da escolha de conteúdos e procedimentos articulados através de aspectos formativos e informativos.
Logo, nesse processo, o que significa construir uma home page?
As home pages constituem a via por onde o usuário pode acessar as informações no WWW. Elas são as páginas que apresentam o conjunto de dados ali disponibilizados na composição de um layout de estrutura hipertextual. Nesse conjunto, os links* abrem acesso às infovias por onde se procedem as “navegações”, quando a ação do mouse sobre determinadas palavras ou ícones fazem a passagem a outras páginas.
No momento atual estamos envolvidos no processo de criação de home pages, o que precipita a conjugação de alguns aspectos, os quais podem ser sucintamente colocados dessa maneira:
1. a utilização dos recursos tecnológicos faz-se presente na elaboração das home pages tanto no sentido de tomá-los como ferramenta de trabalho, como de manter uma avaliação permanente sobre sua qualidade, aplicabilidade e possibilidades em favorecer novas aprendizagens;
2. o registro dos dados nas home pages deve ser feito através de uma linguagem específica (HTML), a qual exige um domínio de alguns requisitos e de sua simbologia para a construção (layout) de uma composição informacional na página.
Para tal, viemos lançando mão do recurso a tutoriais e da troca de idéias entre o grupo de alunos e professora, com vistas a elaborar um núcleo mínimo de conhecimentos sobre a tal linguagem. Caso contrário, não haveria condições de construção do material.
Assim, o processo de criação vem mediado por um 3º elemento que o viabilize, quando favorece o esclarecimento de dúvidas e impasses, além de oferecer novas sugestões para a melhor utilização da Linguagem HTML.
3. Obviamente, há conteúdos e temáticas que são o motivo da geração das home pages. No nosso caso, tratam-se de materiais informativos que são preparados com a intenção de fornecer elementos de apoio ao professor “navegador”. Nessa direção, abrimos possibilidades formativas, quando pretendemos instrumentalizá-lo para uma utilização dos próprios recursos e ferramentas da Internet, ou quando instigamos questionamentos sobre a projeção desses recursos no campo educacional.
Não obstante, a conjugação desses 3 viéses pode sustentar-se em um movimento impulsionado pelos próprios interesses de cada um de nós, visto que a preparação desses materiais implica na (re)significação de nossos processos de aprendizagem, bem como na reflexão sobre essas mesmas aprendizagens. Esses múltiplos recortes, então, corroboram a presentificação de nossa própria subjetividade, quando colocam em pauta a perspectiva de se viabilizarem através de uma dinâmica interativa e comunicativa.
Ainda a esse respeito, podemos situar 4 tempos que demarcam a evolução do processo de interação/comunicação promovido em nosso grupo Alunospg:
1º - germinação
O temor do fracasso frente ao novo recurso tecnológico gerou um movimento de germinação, no sentido de se deixar apropriar pouco a pouco da novidade, a qual gravitava em torno da telemática e seus reveses. Nesse tempo, as balizas para a interação/comunicação eram postas mais pelo receio do que pela curiosidade.
No entanto, essa “fotografia” do grupo apresentava-se em matizes variados, não correspondendo a sua totalidade, pois como já sinalizamos, cada um dos seus membros seguiu um ritmo particular no desenvolvimento da disciplina.
2º - afloramento
Passado o 1º momento, o grupo lança-se na aventura de resgatar a dinamização de uma lista de discussão, cuja temática envolve o debate sobre telemática e educação7. Essa lista havia sido criada a título de um projeto monográfico para o encerramento de uma das disciplinas cursadas. Porém, manteve-se, também a lista, em germinação.
A passagem a esse tempo de afloramento significa um movimento que pretende a interlocução com os pares interessados em assuntos afins, recorrendo a um arsenal tecnológico que teve seus primórdios de apropriação na época anterior.
3º - amadurecimento dos frutos
Esse momento veicula-se na experiência de elaboração das home pages. Há, ainda, um coadjuvante, presentificado, por exemplo, na feitura desse artigo e em comunicações de trabalhos, os quais pretendem ponderar sobre nosso próprio empreendimento de apropriação no uso das redes telemáticas, e a conseqüente construção de conhecimentos a seu respeito. Logo, implica em um movimento de autorização, quer dizer, testemunhar a experiência e suas respectivas reflexões críticas.
4º - colheita dos frutos
Podemos nos arriscar a colocar o 3º e 4º tempos em certa simultaneidade, quando esperamos pautar uma discussão teórico-metodológica sobre a implicação dos aspectos explanados nesse artigo, para endereçá-los ao campo da Educação e, conseqüentemente, vislumbrar uma (re)significação dos próprios processos de ensino-aprendizagem.
Nesse andamento, cabe, também, avaliar os materiais educacionais disponíveis, com vistas a contextualizá-los nessa nova realidade conformada pelo advento das redes telemáticas.
A essa altura caberia, uma vez mais, inscrever uma singularidade
nos caminhos de trabalho, eleitos pelos participantes do grupo Alunospg.
Isso quer dizer que os produtos colhidos nesse momento demarcam nossas
diferenças, denunciando por onde cada um de nós inquieta-se.
Sendo assim, convidamos o leitor a considerar que muitos dos aspectos abordados
nesse artigo têm algo de tendencioso, na medida que transparecem
os percursos e vivências de seus autores. Não obstante, isso
não exclui algumas interfaces com as experiências de nossos
colegas, motivo pelo qual nos abstemos em nominar os protagonistas de algumas
das cenas aqui apresentadas.
Consideremos um campo de produção ainda incipiente e, por isso mesmo, iluminado sob as bases teóricas em vigência no nosso tempo. Vamos ousar inscrevê-lo aqui como um campo ainda eclipsado por essa circunstância de vigência.
Trata-se, também, de abordá-lo a partir de uma realidade pungente, cuja incipiência convoca uma formatação teórico-conceitual, uma nominação identificatória e uma práxis que delimite seu sítio operacional.
Esse novo campo é filiado à Informática Educativa, mas amplifica seu trânsito por outras matérias, quando leva em conta a dinamização dos processos de interação e comunicação, os quais desterritorializam, globalizam as relações entre sujeitos e entre sujeito e conhecimento. Por conseqüência, isso reordena as ponderações sobre o laço social em uma cultura visada pelo olhar da Cibernética e, por conseguinte, uma causticante incógnita presentifica-se aqui. Para onde estamos indo?
Dessa maneira, debruçamo-nos sobre o campo de aplicabilidade das redes telemáticas e suas potencialidades de utilização tanto como recurso pedagógico, como de formação do educador.
Tal apontamento é importado de nossa própria experiência de apropriação dos recursos da Telemática, dado como efeito de nossa curiosidade e inclinação por conhecer esse novo objeto.
Portanto, e para finalizar por ora, vamos lançar os indícios de uma empreitada cujo propósito busca circundar um campo em emergência. Para tal, deixamos algumas questões geradoras de outros desafios intelectuais:
1. Tomando-se em conta que as redes telemáticas veiculam uma ambientação virtual, qual seria o estatuto dos produtos decorrentes do uso dos recursos telemáticos? Poderíamos falar em aprendizagem virtual, comunicação virtual? Ou será que se tratariam de produtos simbólicos elaborados em certa virtualidade?
2. Como viabilizar um projeto curricular que articule as novas exigências tecnológicas e a formação de professores para que se apropriem dos recursos da Informática, da Telemática, a fim de elaborarem novas concepções de ensino-aprendizagem?
Sendo assim, conforme poderá ter constatado o leitor, esse artigo demarca uma tentativa de corporificar simbolicamente nossas inquietações mais pungentes, constituindo uma aproximação às incógnitas para nominá-las ainda que, pela via da escrita, não se apresentem em certa precisão.
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